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| VIDAS PARTIDAS Capítulo 1 A Dor Que Nunca Passou |
Capítulo 1:
A Dor Que Nunca Passou
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Cena 1 – Igreja de Santa Clara, São Paulo – Dia
Laurinha entra na igreja, vestida de noiva. Está radiante. Seu olhar brilha com esperança. Claudinha do Reboque segura o buquê, suando de emoção e calor.
Claudinha (sussurrando):
“Cê vai ser feliz, Laurinha. Vai ser mãe logo, eu sinto.”
Arthur, no altar, está sério. Força um sorriso. O padre Gus observa a cena com olhos atentos.
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Cena 2 – Recepção do Casamento – Noite
Durante a festa, Arthur evita Laurinha discretamente. Fala ao celular em tom baixo, distante.
Arthur (ao telefone):
“Não se preocupe. Está feito.”
Laurinha corta o bolo, radiante, sem perceber o distanciamento.
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Cena 3 – Consultório Médico – Meses Depois
Laurinha está deitada, emocionada ao ver o ultrassom. O médico sorri.
Dr. Renato Figueiredo:
“Parabéns, Laurinda. É um menino.”
Ela ri e chora ao mesmo tempo. Arthur segura a mão dela com força inesperada, os olhos brilhando.
Arthur (sincero):
“Um menino… Nosso filho.”
Laurinha se surpreende com a reação dele. Pela primeira vez, ele a olha com ternura.
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Cena 4 – Sala de Estar, Casa de Laurinha – 2 anos depois
Tomás corre pela casa com um carrinho de brinquedo. Laurinha o persegue sorrindo. Claudinha chega com um pacote de pão doce.
Claudinha:
“Esse menino vai acabar virando piloto de reboque!”
Arthur entra, incomodado com a bagunça.
Arthur:
“Ensine limites a ele, Laurinda.”
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Cena 5 – Praça – Fim de tarde
Laurinha está com Tomás no parquinho. Ela se distrai por segundos olhando uma mensagem no celular. Quando olha de volta, Tomás não está mais lá.
Laurinha (gritando):
“TOMÁS?! TOMÁS!!!”
Corte seco. Som de sirenes ao longe.
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Cena 6 – Delegacia – Dias depois
Laurinha está devastada. Arthur fala com um detetive influente.
Detetive:
“Sem pistas, sem testemunhas. É como se ele tivesse evaporado.”
Padre Gus entra na delegacia, silencioso. Pousa a mão no ombro de Laurinha.
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Cena 7 – Igreja vazia – 10 anos depois
Laurinha acende uma vela diante do altar. Envelheceu. Olhos marcados. Ainda usa a aliança de casamento. Padre Gus se aproxima.
Padre Gus:
“Às vezes Deus cala… mas nunca abandona.”
Laurinha:
“Dizem que ele está morto. Mas eu sinto que ele respira… em algum lugar.”
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Cena 8 – Escritório de Arthur – Noite
Arthur assina papéis com frieza. Um advogado recolhe a documentação do divórcio.
Advogado:
“Está encerrado.”
Arthur bebe uísque, olhando pela janela. Sozinho, sem expressão.
Arthur (sussurrando):
“Agora sim… começo de novo.”
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VOZ OFF (Narrador / Padre Gus):
“Há dores que se escondem nos sorrisos. Amores que nunca foram. E verdades que o tempo enterra, mas o coração escava. Foi assim que Laurinda começou a sua travessia — com o coração cheio… e as mãos vazias.”
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